Março 2010

Os Três Mal-Amados
fala de Joaquim
(trechos)

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu meus cartões da visita. O amor veio e comeu todos os papéis
onde eu escrevera meu nome.

(…)

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas.
O amor comeu a medida dos meus ternos, o número dos meus sapatos,
o tamanho de meus chapéus.
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

(…)

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas meus raios-X.
Comeu meus testes mentais,meus exames de urina.

(…)

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia.
Comeu em meus livros de prosa as citações em verso.
Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos

(…)

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite.
Meu inverno e meu verão. Comeu meu silencio, minha dor de cabeça,
meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto

Totalidade – Karl Marx

Já não posso ocupar-me tranqüilamente
Do que se apodera fortemente da minha alma
Já não posso permanecer em paz
E lanço-me ao trabalho.
Tudo quisera conquistar,
Todos os favores dos deuses
E possuir o saber
Abraçar toda a arte
 

Ousadia – Karl Marx

É por isso que preciso de tudo ousar
Sem nunca ter descanso
Não fiquemos calados
Sem nos querermos realizar
Não nos submetamos
Silenciosos e crédulos
Ao jugo humilhante
Pois que nos restam o desejo e a paixão
Pois que nos resta a ação.

 

é….é como diz o Tavinho Paes….

“o que seria se Karl Marx tivesse conhecido o PC, …não o Do Bill,….o do Collor…..”